Fluxo de caixa: como montar em uma planilha simples e não perder o controle
Fluxo de caixa é o registro diário de tudo que entra e sai da conta da empresa, com o saldo de hoje e o saldo projetado para as próximas semanas. Uma planilha com cinco colunas resolve: data, descrição, entrada, saída e saldo. O que faz o fluxo funcionar não é a ferramenta, é o hábito de lançar tudo no dia e de projetar o que já se sabe que vai vencer.
Monte o seu agente e veja ele respondendo com as informações do seu negócio.
Criar meu agente de graça Montar é livre, sem cadastro e sem cartão.O que você vai encontrar neste artigo
Em resumo
- Bastam cinco colunas: data, o que foi, quanto entrou, quanto saiu e quanto sobrou.
- O valor do fluxo está na projeção: lançar hoje o que vence daqui a 30 dias.
- O fluxo quebra se você lança de memória no fim do mês, ou mistura dinheiro pessoal.
O que é fluxo de caixa e por que ele é diferente de lucro
O fluxo de caixa responde uma pergunta só. Quanto dinheiro existe na conta hoje, e quanto vai existir nos próximos dias, contando o que já está combinado de entrar e de sair. O lucro responde outra. Quanto o negócio ganhou depois de todos os custos, num período. Uma empresa pode ter lucro no mês e ficar sem caixa na segunda semana. Basta ela vender a prazo e comprar à vista.
Por isso o fluxo é diário e olha para frente, enquanto o resultado é mensal e olha para trás. Os dois se completam, e o mais urgente para quem está começando é o fluxo, porque é ele que evita o cheque especial.
Como montar a planilha de fluxo de caixa
- Abra uma planilha com as colunas: data, descrição, categoria, entrada, saída, saldo.
- Na primeira linha, o saldo real da conta hoje. Esse número tem que bater com o extrato do banco.
- Lance todas as entradas e saídas do dia, uma por linha, no dia em que acontecem. Recebeu no cartão? A entrada é no dia em que o dinheiro cai na conta, não no dia da venda.
- Lance também o que já está combinado para a frente. Aluguel do dia 10. DAS do dia 20. Fornecedor do dia 25. Boleto do cliente que vence dia 15. Essas linhas futuras são a sua projeção.
- A coluna saldo é a linha de cima mais entradas menos saídas. Quando ela fica negativa numa data futura, você descobriu um problema com semanas de antecedência.
Categoria é a coluna que vira relatório depois: aluguel, fornecedor, imposto, pró-labore, venda à vista, venda no cartão. Sem categoria o fluxo diz quanto saiu, mas não com o quê.
O que registrar e o que costuma ficar de fora
| Lançamento | Entra no fluxo? | Detalhe |
|---|---|---|
| Venda paga no PIX | Sim, no dia | Valor líquido que caiu na conta |
| Venda no cartão | Sim, na data de recebimento | Crédito cai em dias; a taxa da maquininha é uma saída |
| Compra parcelada | Sim, uma linha por parcela | Na data de cada vencimento |
| Imposto | Sim, no vencimento | DAS dia 20, guias de folha nos seus dias |
| Pró-labore | Sim, todo mês | Saída fixa; não misturar com retirada de lucro |
| Conta pessoal paga com o cartão da empresa | Sim, como adiantamento ao sócio | É o lançamento que ninguém quer fazer e que mais falta |
| Depreciação, provisões | Não | Isso é resultado, não caixa |
Os erros que quebram o fluxo de caixa
- Lançar de memória no fim do mês. O que não foi anotado no dia some, e o saldo da planilha não bate mais com o banco.
- Registrar a venda no cartão como se o dinheiro já tivesse entrado. O saldo fica inflado por dias.
- Misturar a conta pessoal com a da empresa. O fluxo passa a medir a família, não o negócio.
- Não projetar. Um fluxo só de passado é um extrato bonito; o valor está nas linhas futuras.
- Esquecer as saídas sazonais: décimo terceiro, IPVA do veículo da empresa, renovação de licença. Elas cabem na projeção do ano inteiro.
Regra que resolve metade dos problemas: o saldo da planilha tem que bater com o extrato toda semana. Se não bate, alguma linha falta ou está errada, e é mais fácil achar em sete dias do que em trinta.
Quando a planilha deixa de dar conta
A planilha aguenta bem um negócio com poucas dezenas de lançamentos por mês e uma pessoa cuidando. Ela deixa de servir em quatro casos. Muitas vendas por dia. Várias formas de pagamento com prazos diferentes. Mais de uma pessoa lançando. Ou quando o dono precisa saber de qual cliente veio cada entrada. Nesse ponto, digitar dá mais trabalho do que a informação vale. É hora de um controle que registre a venda e o recebimento no mesmo lugar em que o pedido nasce.
Tem também o caso em que nem planilha é preciso. Um prestador sozinho, com poucos clientes e recebimento à vista, vive bem com o extrato do banco e uma lista de contas no calendário. O fluxo formal entra quando aparece a primeira venda a prazo.
Como isso entra no seu controle do dia a dia
O fluxo de caixa é o primeiro relatório que um controle do negócio precisa dar. Ele depende de um hábito: registrar cada venda e cada pagamento no dia, com data, valor e categoria. Quando a venda nasce numa conversa e o registro acontece ali mesmo, o caixa vira consequência do atendimento. E não uma tarefa separada de fim de mês.
O sinal de que está funcionando é este. Numa segunda-feira o dono já sabe se vai faltar dinheiro no dia vinte. E ainda tem tempo de cobrar, adiar ou vender.
Leia também
Perguntas frequentes
- Fluxo de caixa é a mesma coisa que DRE?
- Não. O fluxo mostra o dinheiro entrando e saindo da conta, por data. A DRE mostra o resultado do período: receita menos custos e despesas, independentemente de já ter sido pago.
- Com que frequência atualizar o fluxo de caixa?
- Todo dia, com os lançamentos do dia, e uma conferência semanal contra o extrato do banco.
- Preciso de um sistema ou a planilha basta?
- A planilha basta enquanto uma pessoa consegue lançar tudo no dia. Quando o volume ou o número de pessoas cresce, um controle que registra a venda e o recebimento juntos evita a digitação dupla.
- Como projetar entradas que não são certas?
- Projete só o que está combinado: boleto emitido, contrato assinado, cartão a receber. Expectativa de venda fica fora do fluxo e entra na meta.