Capital de giro: quanto o seu negócio precisa ter em caixa para não parar
Capital de giro é o dinheiro que a empresa precisa ter para pagar as contas enquanto espera receber dos clientes. Ele existe porque quase sempre se paga antes de receber: o fornecedor cobra em trinta dias e o cartão do cliente cai em outros trinta. O tamanho do capital de giro é o total de despesas desse intervalo, e o jeito de reduzi-lo é encurtar o prazo de receber ou alongar o prazo de pagar.
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Em resumo
- Capital de giro cobre o intervalo entre pagar e receber, não o lucro.
- A conta é: dias entre a saída e a entrada, vezes o gasto médio por dia.
- Falta de giro se resolve com prazo, não com venda: receber antes e pagar depois.
O que é capital de giro, em uma frase que dá para usar
É o dinheiro parado que faz a empresa funcionar entre o gasto e o recebimento. Uma loja compra mercadoria hoje e paga em trinta dias. Vende ao longo do mês e recebe o cartão em mais trinta. Entre a saída para o fornecedor e a entrada do cliente existe um buraco de dias. O capital de giro é o que preenche esse buraco.
Ele não é lucro nem investimento. Uma empresa lucrativa pode ficar sem giro se cresce rápido: quanto mais vende a prazo, mais dinheiro precisa adiantar.
Como calcular o capital de giro do seu negócio
- Some o que a empresa gasta num mês normal: fornecedores, aluguel, folha, pró-labore, impostos. Divida por 30. Esse é o gasto por dia.
- Conte quantos dias, em média, a empresa demora para receber depois de vender. À vista é zero; cartão de crédito costuma ser trinta; boleto, o prazo que você dá.
- Conte quantos dias a empresa tem para pagar o que compra. Fornecedor com prazo de 28 dias dá 28.
- Conte quantos dias a mercadoria fica parada entre comprar e vender. Serviço puro é zero.
- Dias de estoque mais dias para receber, menos dias para pagar, é o ciclo. Ciclo vezes gasto por dia é o capital de giro que precisa estar em caixa.
Um exemplo com números redondos. Gasto de trinta mil por mês, ou mil por dia. Estoque de 20 dias. Recebimento em 30. Pagamento em 28. O ciclo é de 22 dias, e o capital de giro é vinte e dois mil. Se esse mesmo negócio passar a receber à vista no PIX, o ciclo cai para menos de zero. E o giro deixa de ser problema.
Por que a empresa fica sem capital de giro
| Causa | Como aparece | O que muda |
|---|---|---|
| Crescer vendendo a prazo | Quanto mais vende, menos dinheiro tem | Cada venda nova adianta custo por 30 dias |
| Estoque alto | Dinheiro na prateleira | Cada dia de estoque é um dia de giro |
| Retirada acima do lucro | Caixa some no fim do mês | O sócio consumiu o giro |
| Cliente que atrasa | Boleto vencido, conta a pagar em dia | O prazo real ficou maior que o combinado |
| Imposto e décimo terceiro sem provisão | Mês de dezembro e de fevereiro apertam | Saída concentrada que o fluxo não projetou |
O que fazer quando falta capital de giro
A resposta instintiva é vender mais. Ela piora o problema quando a venda é a prazo. O que resolve é mexer no ciclo:
- Receber antes: desconto pequeno no PIX, sinal de metade no pedido, e cobrança no dia da entrega em vez de no fim do mês.
- Pagar depois: negociar prazo com o fornecedor principal, que costuma preferir prazo a desconto.
- Girar o estoque: comprar menos e mais vezes, e liquidar o que não gira há meses.
- Cobrar o atrasado: boleto vencido é giro emprestado ao cliente sem juros.
- Provisionar: separar todo mês uma fração para imposto e décimo terceiro, em vez de descobrir a conta na data.
Empréstimo para capital de giro só faz sentido depois de mexer no ciclo. Tomar dinheiro caro para sustentar um prazo de recebimento que dava para encurtar é pagar juros para não ter uma conversa com o cliente.
Quando o problema não é giro
Se o caixa falta todo mês mesmo com ciclo curto, o problema não é giro. É prejuízo. Nesse caso o preço está baixo, o custo está alto, ou o volume não paga a estrutura. Nenhum prazo resolve isso. A conta que separa os dois casos é o resultado do mês. Com lucro e sem caixa, é giro. Sem lucro, é preço, custo ou volume.
Como isso entra no seu controle do dia a dia
Os quatro números da conta do giro são gasto por dia, dias para receber, dias para pagar e dias de estoque. Todos saem de registros que a empresa já deveria ter. As contas a pagar com vencimento. As vendas com forma de pagamento e data de recebimento. E o estoque com data de entrada. Um controle que guarda a venda com a forma de pagamento já entrega o prazo médio de recebimento, sem conta na mão.
O que muda no dia a dia é a pergunta na hora de vender. Além de quanto, você passa a perguntar quando o dinheiro entra. Um negócio que conhece o próprio ciclo consegue dar um prazo maior a um cliente grande com a conta feita. Em vez de descobrir o efeito no mês seguinte.
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Perguntas frequentes
- Capital de giro é o mesmo que reserva de emergência?
- Não. O giro cobre o ciclo normal entre pagar e receber. A reserva cobre o imprevisto: mês sem venda, equipamento quebrado, cliente grande que não paga.
- Empresa de serviço precisa de capital de giro?
- Precisa, se recebe depois de prestar o serviço. O giro cobre a folha e as despesas entre o trabalho feito e o pagamento do cliente.
- Qual a maneira mais rápida de aliviar o giro?
- Receber à vista uma parte maior das vendas, com sinal ou desconto no PIX, e cobrar o que já venceu.
- Vale tomar empréstimo de capital de giro?
- Só depois de encurtar o ciclo e só se o negócio tiver lucro. Empréstimo para cobrir prejuízo recorrente adia o problema com juros.