CMV no comércio pequeno: como calcular o custo da mercadoria vendida e por que ele decide o lucro
CMV, custo da mercadoria vendida, é quanto custou o que a loja de fato vendeu num período, e não quanto ela comprou. A fórmula é estoque inicial mais compras menos estoque final. Ele é o maior custo do comércio e o número que, comparado com a receita, mostra se a margem real bate com a que o dono imagina. Sem contagem de estoque, o CMV é um chute.
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Em resumo
- CMV = estoque inicial + compras do período, menos estoque final.
- Compra não é custo até virar venda; o que ficou na prateleira é estoque, não CMV.
- Sem contar o estoque no início e no fim do mês, a margem real é desconhecida.
O que é CMV e no que ele é diferente de compras
Uma loja comprou vinte mil em mercadoria no mês e vendeu trinta mil. Ela não teve dez mil de lucro bruto, a não ser que tenha vendido tudo que comprou. Se sobrou mercadoria na prateleira, parte daqueles vinte mil ainda é estoque. Aí o custo do que foi vendido é menor. Se a loja vendeu também o que já tinha antes, o custo é maior. O CMV corrige isso. Ele olha o que saiu, não o que entrou.
Em restaurante e produção, o mesmo conceito aparece com outro nome. É o custo dos produtos vendidos. Quer dizer quanto de ingrediente e material foi consumido no que você vendeu.
Como calcular o CMV
- Conte o estoque no primeiro dia do mês e valorize pelo custo de compra. Esse é o estoque inicial.
- Some todas as compras de mercadoria do mês, pelo custo com frete e sem o imposto recuperável, se houver.
- Conte o estoque no último dia do mês, pelo mesmo critério. Esse é o estoque final.
- CMV = estoque inicial + compras, menos estoque final.
- Margem bruta = receita menos CMV. Divida pela receita para ter o percentual.
Um exemplo. Estoque inicial de quinze mil. Compras de vinte mil. Estoque final de dezoito mil. O CMV é dezessete mil. Com receita de trinta mil, a margem bruta é treze mil, ou quarenta e três por cento. Se o dono achava que trabalhava com cinquenta por cento, porque marca o preço em dobro, a diferença tem nome. É perda, quebra, desconto e furto. E é isso que a conta revela.
Por que a margem real é menor do que a marcação
| Causa | Onde aparece | Como ver |
|---|---|---|
| Produto vencido ou quebrado | Some do estoque sem virar venda | Registro de perdas separado |
| Desconto no balcão | Receita menor que a tabela | Comparar preço de tabela com receita real |
| Furto ou erro de caixa | Estoque final menor que o esperado | Contagem contra o teórico |
| Frete e custo de compra esquecidos | Custo real maior que o preço do fornecedor | Lançar o frete junto da compra |
| Produto de margem baixa vendendo mais | Mix puxa a média para baixo | CMV por categoria |
Como contar o estoque sem parar a loja
- Conte por categoria, uma por dia, em vez de tudo no último dia. A soma no fim do mês é o estoque final.
- Conte primeiro o que vale mais. Vinte por cento dos itens costumam responder pela maior parte do valor.
- Use o mesmo custo para o mesmo item no início e no fim. Custo que muda entre contagens gera CMV falso.
- Registre perda no dia em que ela acontece, com motivo. É a única forma de separar perda de venda no fim do mês.
Um erro de mil reais na contagem do estoque final vira mil reais de erro no CMV. E mil reais de erro no lucro do mês. Contagem malfeita custa mais que contagem nenhuma. Porque parece verdade.
Quando o CMV mensal não é a medida certa
Loja de giro muito lento, como móveis ou joias, tem mês em que compra muito e vende pouco. Ali o CMV mensal oscila sem dizer nada. Nesse caso a medida útil é por item vendido: cada venda carrega o custo daquela peça. Negócio de serviço puro não tem CMV. O custo direto ali é hora e material, e a conta é outra.
Como isso entra no seu controle do dia a dia
O CMV exige três registros. Entrada de mercadoria com custo. Saída por venda. E perda, com o motivo. Quando a venda é registrada com o produto, e não só com o valor, o estoque no papel se atualiza sozinho. A contagem do fim do mês vira conferência, não descoberta. A diferença entre o papel e o contado é a perda que ninguém anotou.
Com isso o dono para de olhar só a marcação de preço. Ele passa a olhar a margem que sobrou de verdade, por categoria. E decide o que comprar de novo e o que parar de comprar.
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Perguntas frequentes
- CMV e custo fixo são a mesma coisa?
- Não. CMV é o custo da mercadoria que saiu na venda; custo fixo é aluguel, folha e contas, que existem sem venda.
- Frete de compra entra no CMV?
- Sim. O custo da mercadoria é o preço pago mais o que custou trazê-la até a loja.
- Com que frequência contar o estoque?
- No mínimo uma vez por mês, no mesmo dia, para o CMV mensal fechar. Contagens rotativas por categoria ao longo do mês funcionam bem.
- Serviço tem CMV?
- Serviço puro não. Serviço com material, como oficina ou salão com produtos, tem o custo do material consumido, que segue a mesma lógica.